Artigo de Opinião K9

 

Apos ter sido questionado por umas boas dezenas de pessoas, sobre a minha opinião, referente ao incidente tactico da GNR no passado fim de semana, aqui ficam os meus parcos e humildes pensamentos:

- Não tive qualquer envolvimento nem conhecimento directo da operação em si, por isso, tudo o que possa dizer é somente da minha responsabilidade e são reflexões minhas

- A operação, parece me ter sido de uma dificuldade muito própria, com um suspeito em envolvimento emocional extremo com intenções suicidas e com extensa e intensa formação militar em técnicas e operações especiais, o que tornava toda a operação de extremo e elevado risco de vidas para os operacionais em questão e para os reféns

- As "guidelines" ou seja, as boas praticas da intervenção tactica policial, estão bem definidas e publicadas, em que no seu capitulo, referente ao uso de cães em intervação tactica, define o que são consideradas "missões suicidas" em que o uso de cães está proibido pois o risco de vida e as hipóteses de sobrevivência são injustas e desproporcionais. Tenho a certeza de que a GNR com as suas unidades de alta formação técnica e teórica, cumprem estas boas praticas, nunca colocando em risco desnecessário e não ponderado os seus operacionais, sejam humanos ou caninos.

- Existem um investimento financeiro gigante em unidades cinotécnicas, o que o seu "desperdício" seria um erro económico grave e sem qualquer justificação

- Existe um investimento emocional gigante da parte dos Homens que trabalham, lidam, "respiram cães", 24h por dia, 365 dias por ano, que se alguma vez percebessem que os seus colegas de trabalho, companheiros e camaradas fossem usados como "carne para canhão", já se teriam revoltado e todos nos saberíamos

- Dos elementos que conheço e que estão no activo neste momento, todos eles olham para os seus parceiros como alguém disposto a correr riscos controlados e conscientes, mas com a grande preocupação pela a segurança e bem estar dos outros, quer sejam humanos ou caninos! Muitos não hesitam em proteger os seus companheiros caninos, mesmo pondo em risco a sua própria segurança!

- A segurança e protecção individual dos cães policiais ou militares, é hoje em dia uma ciência, da qual eu com muito orgulho faço parte, e implica que todas as analises tacticas e execuções tenham em conta a segurança e bem estar dos cães tacticos e o uso de equipamentos de protecção dos mesmos, quer sejam, coletes, óculos, etc. Sei que essa preocupação esta presente nas equipas tacticas cinotécnicas.

- Neste mesmo cenário perdeu se a vida de um militar humano e de um militar canino, isto mostra o "pe de igualdade" do risco dos elementos! Lamento muito a perda dos dois e os ferimentos de todos os outros, nomeadamente o outro cão.
- Tenho a certeza de a GNR fez o seu "debriefing" e fará uma análise de tudo o ocorrido e se algo terá que ser ligeiramente corrigido, o fara, pois estão em risco a vida de operacionais, humanos e cães

- A grande maioria dos condutores cinotecnicos, tem um profundo respeito, admiração, companheirismo e carinho pelos seus companheiros caninos, com os cães partilham momentos de dificuldade, de stress, de profunda emoção e de alegria, criando com eles um elo de ligação que fica para a vida e que de tudo farão para a segurança e bem estar de ambos.

- Corporações que tenham uma "politica" de que os cães são descartáveis, nunca conseguirão atingir níveis de operacionalidade e de performance satisfatórios, que lhes permita fazer um bom trabalho e bons resultados em operações deste género

- Os cães de uso policial e militar, estão lá de coração, não tem qualquer interesse politico, ideológico ou monetário, apenas são felizes a fazer o que lhes ensinaram e fazem no de coração. Infelizmente e felizmente, muitos não se apercebem do perigo que involuntariamente possam estar. Mas o seu coração está e farão de tudo para cumprir o que foi estipulado, ate ao ultimo momento.

- O cão em questão, era um excelente operacional pelo que sei, com muito investimento monetário e emocional por parte de vários condutores, que estão emocionalmente afectados com a sua perda, tal como a perda do seu colega humano.

- Não ACREDITO que o uso dos caes tenha sido descartável, tenho a certeza de que a decisão tactica foi a de sempre, correr o menor risco possível para humanos e cães, operacionais e reféns, garantindo os melhores resultados possíveis!

- Toda a operação era de elevado risco e podíamos hoje em dia estar a lamentar a perda de 2 cães e 15 homens, mas felizmente esse não foi o resultado. 

- Lamento pelo Barros, lamento pelo Vulcão, mas tenho a certeza que ate ao ultimo momento, os seus valores, a sua coragem, a sua dedicação os fez lutar ate ao ultimo segundo, nunca sentindo vontade de fugir ao que lhes foi pedido!

- Somos nós, população geral, que exigimos e precisamos, que haja operacionais e unidades destas para que a nossa liberdade e qualidade de vida seja mantida!

- Os cães como melhores amigos do Homem, como companheiros nos bons e maus momentos, partilham connosco esta responsabilidade e esse orgulho! 

- Não tenho a arrogância de saber exactamente o que os cães pensam, mas ACREDITO, pelo que vi, vejo e participei, que a maior parte destes cães, estão de mente e coração e que não hesitariam em participar, mesmo que lhes fosse dada a liberdade de escolha, de estarem presentes ou não!

- Como em muitas palestras já me ouviram dizer, os cães são os verdadeiros heróis, estão com o coração em tudo isto. Eles são os meus heróis e por eles faço tudo!

- Um comandante tactico, nestas operações, pondera sempre os riscos e os benefícios, tendo como principio nunca correr riscos desnecessários, em que as probabilidades de uma execução perfeita sejam muito grandes. Infelizmente há sempre alguma probabilidade de infortúnios, mas isso é inerente á vida em geral.

- Não é raro, em operações deste género, envolvendo operacionais humanos e cães, que os humanos saiam feridos ou mortos e que os cães saiam completamente ilesos. Mais ainda, todos os estudos demosntram que os riscos de injuria a cães policiais e militares é ínfimo quando comparado com os riscos dos operacionais humanos! A taxa de mortalidade ou ferimentos entre os cães operacionais de forças do primeiro mundo e ocidentais, é baixíssima quando comparada com os riscos de ferimentos e mortes de humanos operacionais!

- O futuro da criminalidade, é este, suspeitos e delinquentes cada vez mais eficazes, treinados e preparados. Cabe nos a nós estarmos á frente e antecipar tudo isto, para bem de todos

Por ti Barros, por todos os cães que trabalham diariamente para o nosso bem estar, segurança e liberdade, eu estou aqui e continuarei a lutar!
Por ti Falco e por ti Brixie, para sempre no meu coração

 

Nuno Paixão

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