O segundo tsunami de Fukushima

Cresce número de vítimas da ‘terceira bomba atômica’

Hong Kong – Pela primeira vez o governo japonês reconhece, publicamente, aquilo que muitos suspeitavam há muito tempo. Grandes extensões de terras em torno das instalações dos destruídos reatores da usina de Fukushima não podem ser descontaminadas, e ao que tudo indica permanecerão inabitáveis e desertas para sempre.

O situacionista Partido Liberal Democrático (LDP) divulgou relatório convocando o governo para abandonar como não realizável sua promessa aos 160 mil japoneses refugiados ambientais que suas casas, atingidas pela ação da energia nuclear, serão, em algum momento, descontaminadas e, assim, novamente adequadas para serem habitadas.

Ao invés disso, o relatório recomenda ao Governo Abe ajudar economicamente as vítimas para que possam instalar-se em outras regiões do país, assim como aumentar as verbas destinadas ao “armazenamento seguro” do lixo atômico que será recolhido da deserta região de Fukushima, estabelecida em um perímetro com raio de 12 milhas em torno da usina.

Desta forma, não estão sendo desmentidas, somente, as promessas de Abe sobre o retorno dos refugiados ambientais às suas casas, mas, também, a glorificação da indústria nuclear de que os níveis de radioatividade poderão – em algum tempo – recuarem em níveis seguros.

A reação dos refugiados da radioatividade nestas últimas informações é realmente irritada, revoltada: “Deveriam há tempo ter definido as regiões às quais não poderíamos retornar e terem preparado projetos para iniciarmos nossa vida em algum outro lugar”, declarou o septuagenário Toshitaka Kakinuma.

Volta das usinas

Dois anos e meio após essa “terceira bomba atômica” sobre o Japão, dezenas de milhares de refugiados continuam tentando sobreviver em acampamentos provisórios, mas cada vez mais seu número é reduzido. Cerca de 1.500 deles morreram até agora por doenças atribuídas às suas novas condições de vida. Dentro em breve, o número de vítimas superará aquele das que foram causadas na região pelo tsunami de 11 de março de 2011.

Entretanto, tudo isso não desencoraja, em absoluto, os planos do Governo Abe para o reinício de funcionamento das 50 usinas nucleares instaladas no Japão, que após a catástrofe de Fukushima haviam sido desligadas por “motivos técnicos”. O ex-primeiro-ministro Junishiro Koizumi formulou apelos ao governo para avaliar “com seriedade” os novos fundamentos.

“É excessivamente otimista e irresponsável supormos que poderemos encontrar localidades para armazenar os dejetos nucleares”, disse Koizumi, advertindo que “mesmo enterrando-os por 100 mil anos serão ameaça às próximas gerações”.

Mas preocupações deste tipo são habitualmente afogadas na chuva dos comunicados tranquilizadores da empresa Tepco (administradora da bomba atômica de Fukushima), de que as possibilidades de catástrofes semelhantes no futuro são quase inexistentes. Aliás, exatamente, como ocorreu em Chernobyl.

Lee Wong

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