Opinião: Apoio aos Sem-Abrigo
Ontem uma equipa da SAR-TEAM foi convidada a se deslocar e poder apoiar os sem-abrigo num dos muitos pontos da cidade do Porto.
Foi com muito calor e carinho que fomos recebidos pelos voluntários desta acção, desde logo disponíveis para nos colocarem ao corrente do trabalho que têm feito em prol desta minoria que está em constante crescimento.
Olhar os outros, com olhos de ver, detendo-se no momento em que os olhos se desviam por vezes, para nada ver... para nada saber...
Esta é a humanidade que anda na rua. Ninguém se olha, ninguém quer saber...
INDIFERENÇA, SOLIDÃO E ABANDONO. EIS OS SEM-ABRIGO!
DESCULPA-ME, SEM-ABRIGO!
Passei por ti na rua e nem sequer te vi.
Não me dei conta de que ali estavas deitado no chão. Não baixei os olhos. Nem, tão pouco, abrandei o passo.

Mais à frente nem reparei naquela mulher sem casa que, sentada num ressalto de pedra, comia a sua refeição do dia.
Por pouco também, não tropecei naquela outra mulher que se deixara dormir no chão em cima de uma grelha de ventilação do Metro.
Tão pouco reparei naquele velho que procurava o seu sustento num caixote do lixo.

Nem no teu outro companheiro de infortúnio que, mais à frente, descansava no chão sobre um simples cartão.
Depois de ter demonstrado tanta indiferença, apenas por distracção, certamente, talvez só por ir apressadamente em mais uma das muitas correrias do meu dia-a-dia, quando tomei consciência do que fiz, lembrei-me das palavras da Associação de Solidariedade Sem Abrigo:
Olhamos para eles e sentimo-nos incomodados.
Incomodados e impotentes.
Podemos aliviar a consciência com uma moeda.
Ou com comida.
Ficamos aliviados mas não curados.
Há qualquer coisa que continua a roer por dentro.
A culpa não é nossa.
Individualmente.
Se calhar nem deles.
Individualmente.
É bom que nos sintamos incomodados.
Será ainda melhor que façamos alguma coisa.
Alguma coisa significativa.
Alguma coisa que os alivie.
E também alguma coisa que evite o aparecimento de outros como eles
(eventualmente nós próprios).
E tomei consciência de que, sempre a correr, no meu dia-a-dia tão atarefado, afinal, deixo por fazer, porventura, aquilo que é o mais importante. E como posso ser assim tão indiferente?
Este artigo de opinião demonstra a minha opinião "Victor Pires" em quanto cidadão, não como operacional, não podendo de forma alguma ser julgada a SAR-TEAM por este artigo!
